quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

LIBERALISMO NA AMÉRICA LATINA: O PREÇO E O LEGADO DAS INTERVENÇÕES IANQUES.

Por Ivan Cesar dos Santos Pinheiro¹

            O liberalismo empregado na América Latina, que se fortaleceu a partir da Guerra Fria, e que em muitas vezes vem sendo questionado nos dias de hoje, teve origem na maioria das nações americanas devido, sabidamente, ao apoio e interesse dos Estados Unidos em sua propagação e manutenção. Para que isso fosse possível, diversas vezes os ianques² buscaram firmar alianças políticas dentro dos países latino-americanos, fosse com a oposição ao governo existente, fosse com o próprio governo em situação.

            Essa busca incessante de se tornarem os “pais” dos povos americanos ganhou força a partir da chamada “Doutrina Monroe”, onde o então presidente dos Estados Unidos, James Monroe, em discurso ao Congresso de 2 de dezembro de 1823, no estado da Virgínia, discorreu:

Julgarmos propícia esta ocasião para afirmar, como um princípio que afeta os direitos e interesses dos Estados Unidos, que os continentes americanos, em virtude da condição livre e independente que adquiriram e conservam, não podem mais ser considerados, no futuro, como suscetíveis de colonização por nenhuma potência europeia […] (Mensagem do Presidente James Monroe ao Congresso dos EUA, 1823. Disponível em: http://www.loc.gov/rr/program/bib/ourdocs/Monroe.html. Acesso em: 24/02/2015 às 14h17min.)

            Como Monroe enfatizou: “nenhuma potência europeia”, mas, os Estados Unidos mostraram ao longo dos séculos XIX e XX que a maior potência das Américas, como eram assim considerados, poderiam intervir da maneira que lhes conviessem.

            Esse processo teve logo de cara a sua expansão dentro do que representa seu próprio território atual, quando, interessados no litoral ligado ao Oceano Pacífico, travaram batalhas sangrentas com ingleses e nativos americanos que ocupavam a localidade. Para completar, estourou a Guerra Mexicano-Americana, considerada a primeira grande intervenção do país em países latino-americanos, entre 1846 e 1848, que matou 16 mil mexicanos para a conquista do território mais rico do México da época: A Califórnia – que hoje é o estado mais rico dos Estados Unidos e responsável por 2,25 trilhões de dólares do PIB nacional em 2014, ultrapassando, inclusive, o PIB de países inteiros como a Itália, Espanha e Brasil, em mediação feita pela Bloomberg Finance LP³ - além dos estados de Nevada, Texas, Utah, Novo México e ainda territórios presentes hoje nos estados do Arizona, Colorado e Wyoming. Desde então, o interesse ianque virou-se para os países da América Central.

            A mensagem de Monroe foi fortalecida pelo “Big Stick”, slogan empregado pelo presidente Roosevelt, em setembro de 1901, onde mencionava que os Estados Unidos deveriam se tornar a polícia internacional do ocidente.  Esse fator determinou uma injeção econômica em alguns países da América Latina.

            Não se passaram cinquenta anos e os Estados Unidos financiavam governos na grande ilha de Cuba, que até 1959 era considerada por muitos uma colônia de férias de Miami e do exército estadunidense, que lá comandava as regras e mantinha ditadores como Fulgência Batista, derrubado mais tarde pela revolução de Fidel Castro. Até o referido levante, a população vivia em estado de miséria, sem oportunidades de melhorar de vida, em meio a um país tomado por corrupção e prostituição. Muitos relatos apontam, inclusive, que soldados americanos saqueavam casas e estupravam mulheres que se negavam a prostituição. Os que eram contra Batista, acabavam fuzilados em sua maioria. Poucos, como os irmãos Castro, conseguiram escapar do fuzilamento. Cuba conquistou sua independência da Espanha na última guerra travada entre estes dois países entre 1895 e 1898, com total apoio dos estadunidenses que já estudavam, antes da Guerra Hispano-Americana (1898, entre Estados Unidos e Espanha), comprar a ilha. Desde então, exércitos americanos ocupavam Cuba, fundando inclusive bases militares no território, como a Base Naval da Baía de Guantánamo. Antes do início da Revolução Cubana, os Estados Unidos financiaram outras investidas capitalistas como em Nicarágua, na Argentina e na Guatemala.

            A Nicarágua teve uma das mais sanguinárias ditaduras instaladas na América Latina. Com total apoio dos Estados Unidos, “Tacho”, como era conhecido Anastásio Somoza García, assumiu o poder em 1936 e transformou o seu governo num regime totalitário, até ser assassinado em 1956. Os grupos perseguidos por ele ficaram conhecidos como Sandinistas, em referência a Augusto Cesar Sandini, que formou um exército de camponeses para combater os grandes proprietários de terra entre 1927 e 1933. Quando os Sandinistas tomaram força, após mais de trinta anos, conseguiram fazer frente a Somoza, assassinando-o. Assumiram o poder, onde ficaram até 1980, quando novamente os Estados Unidos apoiou os grandes proprietários do país que combateram os Sandinistas e os derrubaram, resultando em mais de 100 mil mortes no período.

            A Argentina também, por diversas vezes, teve seus governos apoiados e trocados por forças estadunidenses. Nesse período, Juan Perón assumiu a presidência em 1946, ficando no governo até 1955, quando foi derrubado pela ditadura militar que teve apoio dos ianques. Sua popularidade, benefícios aos trabalhadores, pagamento da dívida externa, entre outras medidas, desagradou os norte-americanos que, assim como o colocaram no poder, o tiraram com facilidade. Em 1966, novamente os Estados Unidos apoiaram outro golpe, derrubando o governo que estava e instalando uma nova ditadura militar, que durou até 1976. Ainda houve outra revolução no país, entre 1976 até 1983. O caos e o medo era vivenciado diariamente pela população nas ruas.

Já a Guatemala era controlada pela empresa estadunidense United Free Company, que detinha o monopólio de principais setores como o ferroviário e as telecomunicações. A população vivia em extrema miséria enquanto os capitalistas sugavam as riquezas do território guatemalteco.

            A partir de 1950 a realidade da Guatemala começa a trazer esperança de mudar. Aliado ao comunismo, porém sem o apoio da URSS – como o próprio Nikolai Leonov, oficial da KGB, alegou em entrevista ao documentário “A Guerra Fria na América Latina”4 -,  Racobo Arbenz, um ex-militar, é eleito presidente.

            Os ânimos mantiveram-se calmos até o início da reforma agrária realizada por Arbenz. A reforma, com o objetivo de ser simples, sem radicalismo e que se fazia justa e necessária, comprou terras consideradas improdutivas para distribuir a população pobre e ofereceu como recompensa a devolução do imposto de renda aos antigos proprietários. A questão que afetou o interesse dos EUA foi a proposta de compra das terras pertencentes a United Free Company, com o intuito de estatizar a empresa. Arbenz ofereceu o equivalente a um milhão de dólares na época, porém a empresa exigiu 16 milhões. Essa exigência desagradou membros do Partido Comunista já formado na época e que alguns participavam do governo, como José Fortuny, inclusive.

            Achando que havia o dedo da URSS, os Estados Unidos nomeia John Carrefour, que tinha experiência de combate ao comunismo quando atuou na Grécia, como seu embaixador no país. Nesse período começa a P. B. Succes, uma frente contra Arbenz, formada pelos estadunidenses com o apoio da Igreja, alguns camponeses e exilados políticos. Não demorou muito para começar a guerra entre Estados Unidos e Guatemala. Como o próprio Howard Hunt, agente da CIA no México, admitiu ao documentário citado anteriormente, os estadunidenses realizavam bombardeios aos moldes alemães para assustar Arbenz e a população guatemalteca. Na época, a ONU, sem intervir diretamente, como previa sua fundação no pós-guerra, pedia o cessar fogo. Durante a Guerra, a CIA espalhou o terror no país e a Cidade da Guatemala foi praticamente devastada. Os guatemaltecos só viram o fim com a vitória dos ianques e o exílio de Arbenz e alguns de seus companheiros, em 1954. A maioria deles acabaram sendo presos e sem direito julgamento. Além da vitória, os Estados Unidos conseguiram a manutenção de seus interesses que custaram uma Guerra Civil que começou aí e só terminou em 1996, com a morte de mais de 150 mil pessoas, além de 40 mil que desapareceram durante o período.

            Esses acontecimentos fortaleceram o ódio de um jovem médico argentino que havia chegado ao país e apoiava Arbenz: Ernesto Guevara de la Serna, que ficou conhecido como Che Guevara na Revolução Cubana. Ernesto fugiu da Guatemala quando se consolidou a vitória ianque e foi para o México, onde conheceu os irmãos Castro, Camilo Cienfuegos e demais revolucionários cubanos.

            Fidel Castro, advogado cubano, sem ligação alguma com o comunismo na época e revoltado com a situação política de seu país, que vivia um caos nas mãos de Fulgêncio Batista - como falamos anteriormente, ditador apoiado pelos Estados Unidos -, comandou um levante sem sucesso e acabou se exilando no México com seus companheiros. Lá, nasceu a maior revolução latinoamericana. Após reunir apoio de alas populares de Cuba e do Partido Comunista local, os revolucionários partiram do México em 1956, no iate Granma, para travar uma revolução que duraria três anos contra as forças dos Estados Unidos e de Fulgêncio Batista. Em seu segundo mandato, Batista governava o país desde 1952 e foi derrubado em 1959 pelos revolucionários. Conforme a revolução se expandia, o povo apoiava e muitas vezes pegavam em armas para combater as tropas de Fulgêncio e expulsar os ianques do seu território. Com a vitória, Batista acaba exilado e muitos de seus companheiros e corruptos do governo acabaram em Miami ou mortos pelos revolucionários.

            Um ano depois, em 1960, os Estados Unidos fundaram, no canal do Panamá, uma escola de treinamento para forças contra-revolucionárias na América. Numa tentativa sem êxito, em 1961, reuniram apoiadores de Batista que haviam sido exilados e seus exércitos agiram na Guatemala, para fazer uma contra-revolução em Cuba. Mas, Fidel e seus revolucionários, com apoio do povo cubano, expulsaram-los novamente.

            Com apoio da URSS, Cuba monta uma comissão para espalhar a revolução em toda a América Latina, sob responsabilidade do então Comandante Che Guevara.  Ernesto viaja para o Congo onde começa uma revolução que acaba sem sucesso por ter sido traído por homens de sua tropa. Ao voltar da África foi para a Bolívia, onde se disfarçou e iniciou uma conspiração para tentar espalhar por lá a revolução socialista. Tropas revolucionarias treinadas pelos Estados Unidos no local acabaram capturando o Che, que foi morto por agentes da CIA. Seus companheiros sobreviveram por terem sidos resgatados a tempo pelo presidente chileno Salvador Allende, um médico marxista que foi eleito presidente em 1970, no Chile.

            O Brasil foi outro país que sofreu influência dos Estados Unidos em seu sistema político. Após o presidente João Goulart anunciar a reforma agrária que seria implantada pela SUPRA (Superintendência da Reforma Agrária), uma série de ocorrências levaram a sua derrubada, em 1964. Ainda hoje, mais de 50% das terras brasileiras estão na mão de menos de 1% da população do país. Na época, relatos apontam que grandes proprietários alertaram os Estados Unidos de que haveria infiltração comunista no governo de Jango, como era carinhosamente chamado o presidente. Anterior a isso, para assumir a presidência, Goulart, que era vice do presidente eleito Jânio Quadros, passou por diversos problemas. Algumas medidas de Quadros como reatar as relações do Brasil com a URSS, que haviam sido rompidas após a Segunda Guerra Mundial, pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, além da medalha de honra ao mérito concedida a Che Guevara pela revolução cubana, levaram a atenção dos ianques ao Brasil. Quadros renunciou a presidência, nove meses após tê-la assumido, alegando que “forças ocultas” o fizeram renunciar. Jango, que se encontrava na China, em relações diplomáticas, foi impedido de assumir a presidência quando voltasse. Graças a Campanha da Legalidade, liderada pelo governador Leonel Brizola, do Rio Grande do Sul, é que Jango pode assumir o cargo. Mesmo assim, a condição para que assumisse foi a criação de um conselho que mediaria suas decisões. Quando as decisões de Jango feriram os interesses dos Estados Unidos, entrou a operação “Brother Sam” em ação: Se o exército brasileiro não tomasse o poder, o país seria invadido pelos estadunidenses. Assim estourou o golpe de 1964, sendo instalada a ditadura militar no Brasil.

            Através dos Atos Institucionais, os militares dominaram a política, infiltrando e nomeando militares em todos os cantos do país, em diversas áreas que eles nem tinham domínio, como na educação. Estudantes, professores e até militares que eram contra o regime eram perseguidos e acabavam mortos, marginalizados ou exilados. A ditadura rompeu com os direitos humanos, fazendo interrogatórios a base de torturas físicas e psicológicas a quem eles pensassem que fossem conspiradores. Mulheres eram interrogadas e estupradas, na maioria das vezes. Relatos apontam que os militares faziam os interrogatórios mais por prazer do que por necessidade. Era um ato de diversão, segundo testemunhas.

            O pior momento da ditadura brasileira foi quando o chefe do SNI (Serviço Nacional de Informação – responsável pelas investigações), Emílio Garrastazu Médici, natural de Bagé/RS, assumiu a presidência. Aos seus moldes funcionavam os DOI-CODI (departamentos criados por ele para aumentar as investigações e interrogatórios). Além do pior momento social, foi um dos piores momentos políticos. O país teve em um ano o que ficou chamado como “milagre econômico” por ter crescido 11%. No entanto, os demais anos de seu governo foram de caos econômico e empréstimos ao FMI. Como era comum desde a redemocratização de 1945, a corrupção, compra de votos (conhecido como mensalão) e envio de dinheiro para o exterior, consumiam com o dinheiro público do país. A falta de democracia acabava com a paciência da população. A forte censura do período e a mídia já não conseguiam mais esconder os protestos, as verdades e os artistas que combatiam a ditadura durante o período, que se estendeu de 1964 a 1985. Apesar de os Estados Unidos terem aceitado o fim da ditadura no Brasil, ainda assim continuaram a financiar campanhas políticas, tentando derrubar a oposição que surgiu na esquerda durante a ditadura, mas depois mudou sua ideologia, adequando-se ao neoliberalismo, e só assumiu o governo em 2002, com seu principal representante na época, o líder do Partido dos Trabalhadores, Luis Inácio Lula da Silva.

            No Chile de Allende, que havia resgatado os companheiros de Ernesto, também não foi diferente. Esta atitude do chileno provocou a ira dos ianques. As empresas estadunidenses presentes no Chile juntamente com a CIA começaram a fazer pressão até derrubar o principal apoiador de Allende, o chefe do exército, René Schneider, que foi brutalmente assassinado.

            Em resposta, Allende estatizou o cobre no Chile, principal produto que era explorado pelos Estados Unidos no país. Ao mesmo tempo, camponeses organizavam um movimento a favor da reforma agrária.

            Por causa dessa revolução social e do apoio de Fidel a Allende, os Estados Unidos impõem um embargo financeiro ao Chile, cortando financiamentos, mesmo contrariando a ONU. A CIA começa a financiar greves em todas as partes do país, como a conhecida greve dos caminhoneiros, que paralisou o Chile, dando um prejuízo incalculável naquele mês. Salvador Allende acaba recorrendo a ONU, acusando os ianques em plena reunião geral e buscando no mesmo momento o apoio financeiro da URSS.

            A direita chilena ligada a uma ala do exército, apoiada pelos estadunidenses, tenta um primeiro golpe, sem sucesso. Para evitar envolvimento do exército chileno nas questões políticas, Allende tenta uma reaproximação do governo com os militares e nomeia o General Augusto Pinochet como seu homem de confiança. O que Allende não contava era que Pinochet o apunhalaria pelas costas e, com apoio dos Estados Unidos, mandou os caças da aeronáutica atacarem o palácio presidencial onde o presidente se encontrava dando o seguinte comunicado a população chilena pelo rádio, coincidentemente no dia 11 de setembro de 1973:
Colocado em uma transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E os digo que tenho a certeza de que a semente que entregaremos à consciência de milhares e milhares de chilenos não poderá ser cegada definitivamente. Trabalhadores de minha Pátria! Tenho fé no Chile e em seu destino. Superarão outros homens nesse momento cinza e amargo onde a traição pretende se impor. Sigam vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor. (Disponível em: http://m.apuracao.ebc.com.br/cidadania/2012/09/chile-lembra-39-anos-do-golpe-militar-e-morte-de-allende. Acesso em: 24/02/2015 às 14h19min.)
            Fidel Castro, em entrevista ao documentário da A&E, discorre que Allende dizia que jamais permitiria uma ditadura e sempre defenderia a constituição chilena, nem que fosse com sua morte, e, infelizmente, assim ocorreu. Allende acabou se suicidando antes que os caças da aeronáutica destruíssem o palácio presidencial e o matassem.

            Assim, o General Augusto Pinochet assumiu a presidência em 1973, instalando a que, junto a brasileira, formou uma das piores ditaduras da América Latina, amplamente apoiada pelos Estados Unidos, assim como a Argentina que se implantava na mesma época.

            Ainda foram implantadas outras ditaduras com apoio ianque como a de El Salvador nos anos 1980, que possuía inclusive os “Atla-Catla”, exército treinado pelos estadunidenses para combater os revolucionários naquela localidade, além de Honduras, Guatemala e Nicarágua. Em 1983 ainda houve uma tentativa de invasão em Granada, porém sem sucesso.

            O imperialismo comandado pelos Estados Unidos segue agindo hoje, em pleno século XXI. Diversos acontecimentos em outras localidades além da América. De várias formas os ianques continuam tentando dominar os países da América Latina, seja através de tratados de livre comércio como o NAFTA, que causa uma exploração econômica no México e agora também no Chile, que aderiu ao tratado, além da ALCA, que não foi assinada pelo principal alvo: o Brasil, não entrando em vigor.

            Os povos americanos que sofreram com a exploração colonial, tendo processos de independência tardios, acabaram atrasando suas entradas no processo da revolução industrial e posteriormente da globalização. Essa globalização lhes custou caro! Dívidas impagáveis foram acumuladas durante a Guerra Fria para entrar nesse processo de competição econômica. A grande maioria dos países latino-americanos ainda não recuperaram suas economias e acabam estagnados, passando por diversas situações difíceis, ano após ano, como baixo crescimento do PIB, altas taxas de mortalidade infantil, analfabetismo e baixa expectativa de vida. A ajuda que parecia fácil, de um crédito interminável, vindo dos grandes capitalistas, entre eles os Estados Unidos, se tornaram grandes problemas políticos e sociais.

            Muitas informações ainda estão aparecendo desses períodos, a cada vez acusam mais e mais pessoas envolvidas, inclusive que entregaram governos e deram golpes em troca de dinheiro sujo que, sem escrúpulos, atacaram e corroeram as sociedades, seja na base da exploração econômica ou na base de guerras e ditaduras sangrentas. Além desse legado negro de mortes e caos social, ainda há a questão da corrupção que ficou enraizada nas sociedades americanas desde o início da sua exploração pelos europeus, passando pela exploração capitalista no processo da globalização, até os dias de hoje.

Notas:

[1] Cursou Bacharelado em História na Universidade Federal de Pelotas (Ufpel); Professor de História e Historiador pela Universidade Regional do Noroeste do Estado (UNIJUI); Mestrando do curso de Patrimônio Cultural da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

[2] Originalmente remetida aos habitantes da Nova Inglaterra, localizada ao nordeste dos atuais Estados Unidos da América. Durante a chamada Guerra de Secessão (1861-1865), o vocábulo popularizou-se na antiga colônia britânica. Para os confederados, os “Yankees” eram os soldados e, em geral, os habitantes dos estados do norte. O termo hoje faz referência aos naturais dos Estados Unidos em sua totalidade.

[3] Empresa sediada em Nova Iorque, ligada aos mercados financeiros e de capitais. Disponível em: http://www.bloomberg.com/. Acesso em: 23/02/2015, às 13h12min.

[4] Documentário produzido pela A&E Television Networks, na década de 1990. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=kxqlH8D4rR8. Acesso em: 23/02/2015 às 14h39min.


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